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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ver cores todos os dias!

 

Estive hoje a tarde em uma palestra de Dasho Karma Ura (Vice-presidente do Conselho nacional do Butão - mestre em política, filosofia e economia pela Universidade de Oxford) sobre o método de Felicidade Interna Bruta aplicada em seu país de origem. Estou apaixonada pelo Governo Butanês conforme apresentação de Dasho.

Imaginem um Governo preocupado com a felicidade de seu povo. Um líder que se interessa por cada motivo de tristeza das pessoas a quem lidera. Imagina também um país onde é importante (e considerado um luxo) o tempo de preparar as refeições, comê-las, meditar e coisas do tipo. Um lugar onde a burocracia do Governo exige que você responda longos questionários sobre o que você gosta, o que precisa e o que te faz feliz.

Imagina!!!!

Segundo Dasho o propósito número 1 da Felicidade Interna Bruta (FIB) é encontrar a pessoa,o porque e onde está a pessoa infeliz de seu país. Reforçando que o FIB não existe para trazer mais felicidade. Mas sim para não permitir que não tenha, sequer, uma pessoa que se sinta infeliz no Butão. Eles sabem que o sentir é algo individual mas entendem que a felicidade parte, também, de vivências coletivas. E essa mesma vivência pode ser um fator positivo para aqueles que estão ou se consideram infelizes.

Um Governo que entende que pessoas não são máquinas, que paz interior vale mais que dinheiro, que manifestações culturais é o mesmo que felicidade coletiva, que bem estar psicológico forma crianças, jovens, adultos e idosos em seres plenos, e o mais bonito de tudo: sabem que o conceito de uma boa vida tem que incluir uma boa morte.

Durante a palestra, vendo as imagens e ouvindo a fala de Dasho só pensava em uma coisa: Precisamos mesmo, urgentemente, redefinir o conceito de "progresso". O mundo tá colapsando, nós, as pessoas também. Esse modelo capitalista está nos levando a falência dos melhores valores. Precisamos desaprender para aprender novamente a viver em um sistema civilizatório que olhe para o ser humano integral. E nesse tempo nós, os ocidentais, obedeceremos uma (entre muitas) das orientações do Governo Butanês que me emocionou muitíssimo: Veja cores todos os dias!

Enquanto nosso modelo ocidental de sociedade não entende que o que precisamos é de tempo para enxergarmos as cores da Vida e nos deliciarmos com isso, vamos tentando reconhecê-las em nós e no próximo. Tentando encontrar esse tempo em nós e para nós.

O Butão é um reino pequeno (menor que o Rio de Janeiro) do Himalaia onde a felicidade é tratada como política pública. Ao estado cabe proporcionar meios para que a população possa encontrar a felicidade. Vale dizer que o país prova o sucesso dessa política em seus índices: Fome zero, analfabetismo zero, índices de violência insignificantes e ninguém vive em situação de rua. Importante: Não há registro de corrupção administrativa. 

Se você fizer qualquer pergunta do tipo "posso fazer isso?" a um butanês, ele responderá invariavelmente o mesmo: "Se isso te faz feliz, sim".

O que nos faz felizes? Vemos cores todos os dias? Temos tido tempo para reconhecer nossas necessidades de felicidade? Como andam nossos atos alimentares? Vale a pena correr atrás de dinheiro feito condenados e não saber desfrutar desse dinheiro saudavelmente? Que tempo temos tido para entrar em contato com o sagrado? Estamos tendo o direito de vivermos plenamente? O que podemos fazer para que o "Butão seja aqui" da melhor forma que conseguirmos?

Saí da palestra de Dasho inquieta! É possível uma sociedade mais saudável em todos os aspectos. Onde as pessoas se sintam felizes do nascimento até a morte, tenham sucesso e respeitem a si mesmas, aos outros e a terra. É possível!!!

Um beijo,
Aline Lima.
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[Imagens: Butão | Fonte: http://www.facebook.com/destinationbhutan]

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