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segunda-feira, 25 de julho de 2011

.Quando falta o "silencioso senso de contentamento".



"Mas quando se trata de vida mesmo - quem nos ampara?"
[Clarice Lispector]
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Amy morreu... PUTZ que triste!!!

Me entristece entender que ela, do jeito que sabia, tentou encontrar um lugar confortável no mundo que a acolhesse. Me entristece saber que jovens morrem a todo momento, sem esperanças de dias melhores.

No caso de Amy, me entristece o fato do mundo inteiro ter acompanhado sua autodestruição, sem entender, que ela pedia socorro. Me entristece que até mesmo após a morte, continuam julgando-a. Para uma legião de detentores das verdades - que sabem menos sobre a VIDA do que sonham suas vãs filosofias -, acham que a "pobre menina rica" não tinha motivos para se sentir, no mundo, sozinha.

Duvido que alguém que tenha tido, ou tenha, convívio com pessoas viciadas (no que quer que seja) a ponto de ser um doente, faça julgamentos da forma como fazem os moralistas, esses que se colocam acima de todas as verdades. Meu pai era alcóolatra e fumante (de cigarro careta). O excesso é sempre o veneno e, com ele, não foi diferente: Ele morreu jovem, aos 54 anos. E, eu lhes digo com a mais absoluta certeza que a pessoa que alimenta vícios tenta de todas as formas se livrar. Eles morrem todos dias quando tentam e não conseguem. Vivem solitários com seus fracassos diários e julgamentos frequentes. E a tristeza é inevitável...

Não vou longe, e compartilho aqui que, durante algum tempo tive depressão, doença modernosa terrível que impõe um olhar sem esperanças sobre a vida. Meu pai, próximo à sua passagem, também teve. São coisas maiores que nossas forças sabe? E você sabe exatamente o que as pessoas esperam que faça, sabe exatamente que a sua vida pode ser legal, mas não encontra força para viver o que você sabe. A vida perde o encanto, o sentido.

Quando estava em tratamento, encontrei Amy Winehouse e, especialmente a canção "Wake up alone" (pela qual sou grata), que passou a ser um tipo de "hino", por que eu também queria ter o "silencioso senso de contentamento" que as pessoas tinham. Porque ,também, me sentia sozinha e, de fato, estava. Estamos. A questão é o que fazemos com a solidão de sermos um no meio da multidão.

Num desse dias de tristeza profunda, nenhuma lágrima mais pra cair, ouvindo essa música decidi que eu queria viver, que eu merecia viver plenamente o meu potencial, o meu caminho. Aí fui buscar ajuda dos amigos, da terapia, dos tratamentos. Amy, não teve a mesma sorte que eu (que hoje estou recuperada), lhe faltou o tal "impulso vital" (e como eu lamento!). Sucumbiu à doença de seus sentimentos. Mas, para mim, ela não se torna menor por isso. Ela, meu pai e todos, possuem minha total admiração porque tentaram, esmurraram "a ponta da faca" até onde não tiveram mais forças (os mais irônicos julgarão pouco inteligente a opção deles, eu não.), voaram pras estrelas buscando, procurando, tentando encontrar uma força maior, uma sorte diferente, um caminho, um lugar confortável no mundo, amor que os bastassem.

Pessoas assim não conseguem, como a grande maioria, viver a mediocridade dos dias. Por isso são apaixonantes. Querem tudo, querem mais e melhor. Fazem o que acham ser certo. fazem o que sabem fazer. Não conseguem viver o "feijão com arroz de cada dia" e se entristessem, se perdem, não se encontram no mundo, são rotuladas e vivem uma ausência que não tem fim. Já me senti assim, falo por conhecimento de causa. É difícil. Vocês não conseguiriam imaginar (ou conseguiriam?)! Mas saibam de uma coisa: Ninguém nasce para morrer sem controle da própria vontade, prisioneiro de suas fraquezas. Ninguém!!!

Tenho certeza que se pudessem, hoje, escolher uma outra vida o fariam. Tenho certeza! Meu desejo é que encontrem, na outra vida, o lugar confortável que procuravam aqui. Que os anjos os cuidem dando o colo que buscam e merecem. E que encontrem um porto de sossego onde os sentimentos possam descansar lhes revelando alguma incrível alegria, onde não se sintam, de todo, sozinhos
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Eu queria que meu pai estivesse aqui, vivo, fazendo uma vida de sucesso e feliz. E gostaria muito que Amy não tivesse morrido, sozinha em seu apartamento, aos 27 anos de idade.

Com desejo que o cotidiano não nos esmague.
#LOVE, Li.

2 comentários:

Thays Petters disse...

Realmente, uma grande perda. =(

Clara disse...

muito bonito o que vc escreveu, poucas pessoas tem esse ponto de vista, até pq como vc falou ; conhecimento de causa né ?, mas os donos da verdade, não sabem nada e nem abrem caminho para aprender...
Gostava muito da Amy, pra mim ela não cantava só sua vida, ela cantava o amor...
beijo.