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quarta-feira, 26 de maio de 2010

.TPM: A Odysseía.


[imagem: google]

Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário

que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.
[Cecília Meireles - Lua Adversa]

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Fato: Ela nunca vai se acostumar com a tal da TPM. E, nunca é muito muito tempo. Tudo começa quando aquela dorzinha de cabeça, chatíssima, sinaliza que os próximos dias serão turbulentos. Internamente turbulentos.

Aí, beibe, seguem-se os abusos, aborrecimentos por coisas aparentemente bobas como uma ligação por engano, a voz mais afônica de alguém lá no canto da sala, pessoas que conversam pegando no braço dela.

Vem aqueles momentos em que ela só sente vontade de sentar e chorar. Por tudo tudo tudo. E, esse tudo é muito sério, do tipo: Alguém que a sorri, scraps com “eu te amo” que recebe no meio da semana, ao final da tarde com as cores do céu, porque seu shampoo acabou (acreditem isso pode ser triste, rss), porque se sente sozinha quando, insone, vai ler livros da Lispector. Todos lindos. Todos muito intensos. Música, coitada, pode nem ouvir uma que goste mais que aí o consumo dos amigos lencinhos de papel dobra! Ela só quer “abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim” . E o dengo fica grande... Quase infantil, sabia?

Então... Aborrecida e extremamente emotiva, chega à fase em que seu corpo todo cresce! Junto com a lua, que também vai ficando cheia. Mas a lua não possui coluna, cabeça e nem pernas para sentir dor. Lua já é redondinha, mesmo quando se esconde! Por isso já é acostumada com seus dias mais cheinhos. E ela, que ama a lua, sabe que nem em sonho pode se comparar à Deusa (lua), aí sente-se mesmo, incrivelmente feia, muito cheia de curvas (e nem é as da “estrada de Santos”,rss). E sabe muito bem que não fica mais bonita como a lua, quando fica cheia. Nem mais doce... Aliás, doce é a coisa que ela mais sente vontade de comer. E dá-lhe alpino, doce-de-leite, brigadeiro, casadinho, o que aparecer.

Aborrecida, emotiva, dolorida, “gorda” e desesperada por doce, ela senta para “abstrair” escrevendo sobre seu Tempo-Próprio-de-Mulher (TPM) e, deseja poder encontrar por aí Homero, para lhe contar que a Odysseía (grego) de ser mulher é infinitamente mais emocionante que as narrativas sobre Ulisses, rss. Só quem compartilha dessa natureza feminina é que sabe onde (e quando) “o sapato aperta”. Mas, mesmo assim, ela celebra sua condição feminina de possuir – como canta Tom Zé - a “taça sagrada da vida”.

Já já passa.

5 comentários:

Mônica. disse...

para resumir: a cara do abuso!
hauheuhuahuhea :P
adorei! =)

Evelyn Ceinwyn . disse...

Menina, adorei o texto, tua tpm assemelha-se com a minha quando diz sobre chorar por tudo tudo e tudo rs
Adorei tua forma discontraida de escrever...
Tens talento, gosto disso.

Beijos.
Cuida-te.

Aline Lima disse...

Monicat: "A cara"! =P

Evelyn: Grata pela visita e viva(!) aos lencinhos amigos, rss.

Beijos!
.aline.

Anônimo disse...

Adoravelmente linda até na TPM.
Saudades das tuas "curvas de Santos".
Você é linda SIM!

Te beijo sempre.
Raphael.

Aline Lima disse...

Rapha-lindo: (ai vergonha!rss)Maluco! Te beijo também. ;***