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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

."Completo, partiu".

[imagem: google]

"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida. Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto, ficado em meio para trás. Não olhava, pois, e, pois não ficava. Completo, partiu."
[Caio Fernando Abreu]
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Meu avô materno José Valetim, me ensinou muitas coisas... A primeira delas veio com o exemplo que dava: a dedicação, o cuidado, com as coisas que ele fazia. Isso era lindo!

Meu avô Sé, não sabia ler porque entre ajudar a mãe a criar seus dez irmãos e estudar, teve que ficar com a primeira opção. Calculava tudo, qualquer número, rapidamente só na cuca. Era inteligente demais. Quando entrei na faculdade, quando me formei, foi nele que pensei primeiro. Pensei em como ele iria ficar feliz vivendo comigo essas pequenas conquistas pessoais, ligadas à educação e formação. Coisas que ele considerava importante. Era nele que eu pensava... Meu avô passou anos a fio, me acordando cedinho para ir para o colégio. Ele me preparava o café-da-manhã. Até hoje, nunca mais bebi café mais gostoso e, desde então, qualquer mesa de café-da-manhã que eu esteja, parece 'vazia'.

Meu avô Sé, me ouvia ler. Gostava de um seriado muito infantil que passava na TVC que chamava 'Co-Co-Ri-Có'. Isso, pensava, deveria ser por conta da infância 'perdida' no trabalho árduo. Era muito grave, contudo bem alegre, vaidoso, tinha um ótimo gosto estético. Gostava de bebidas, de Nelson Rodrigues, de Francisco de Assis e de usar chapéus. Um charme!

Ele era bonito e nos amava. A seu modo. Como patriarca que era, protegendo-nos. Meu avô Sé foi minha referência de homem. Ah! Ele gostava de cachorros, como eu... Sinto mesmo saudade dessa pessoa na minha vida.

Ele era bom. Muito.

Hoje (22/09) , fazem dez anos de sua partida. O tempo passa muito rápido... Minha saudade bonita, feita de gratidão. Esse post é por que eu penso muito nele. Lembro muito, com amor. O tempo leva tudo embora para lugares desconhecidos, ocultos à nós. Leva tudo, menos o que sentimos.

E é pelo o que sinto (e guardo aqui comigo) que continuo sempre, em frente.

Meu avô Sé foi assim: num 'trêm pras estrelas'. Bonito como era, dever ter se fundido entre constelações multicoloridas, lotadas de outras tantas estrelas que se jogam para que a gente se alegre e faça pedidos lindos. Se jogam para alimentar uma certa fé em nós mesmos, nos nossos sentimentos, nos nossos quereres mais profundos, mais caros. Estrelas que se lançam sem medo no céu negro das noites. Se jogam para quem possui "olhos de ver".

Meu avô Sé, uma estrela.

2 comentários:

Anônimo disse...

"minha cor / minha flor/ minha cara"...

te beijo,
rafa(el).

Aline Lima disse...

Rafa: "sol do dia / nuvem branca /sem sardas"...

beeijo.
li.