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sábado, 20 de junho de 2009

.Chá, livro e silêncio.

[imagem: google]

"(...)Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações. E perguntando ia atiçando sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
– Porra! – gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
– Onde está? – perguntou alarmada.
– O quê?
– O animal! – esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
– Aqui – disse.”
[Gabriel Garcia Marquez - Cem Anos de Solidão]
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Marquez é genial, em tudo.
Perdi as contas de quantas vezes li Cem Anos de Solidão. E, sempre me surpreendo quando, por descuido, assim, meio sem pretensões - ao abrir o livro - me deparo com trechos fabulosos como esse acima. Macondo, sempre pensei, é um lugar dentro da gente.

3 comentários:

Clarinhaaa disse...

oláááá.. saudades!

tbm adoro essa passagem do livro...
ele realmente é genial!!!


beijocas

Aline Lima disse...

Clarinha: saudades tbm!!!! então, esse é msm "O" livro né? te abraço, clarinha. =)

Mônica. disse...

preciso ler este.
inteiro dessa vez.