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sexta-feira, 20 de março de 2009

Paragem ou memórias de um passado.


[imagem: Furrrka]

Depois de um longuíssimo silêncio, ele a olhou agudamente. Ela percebeu que os olhos do moço buscavam respostas. Respostas que ela não poderia dar. Pensou em como é ruím querer uma resposta que não se pode ter, porque ela também busca algumas respostas.

O lago estava lá, à frente, parado, silêncioso e de uma cor marronverde. Cheio de imagens, já que a copa das árvores refletiam-se no espelho d´água. Ele levantou-se, caminhou até a margem, debruçou-se sobre o lago, que agora só era céu e ele (um outro refletido), e ficou lá por um tempo. Ela o olhava, com certo constrangimento por não falar nada há tanto tempo. E, quando não se fala nada por muito tempo, diante de um lago tão tranquilo em si, corre-se o risco desse silêncio tornar-se ensurdecedor.

Ela não queria falar nada. 
Quando tem muita importancia, ela geralmente não consegue falar. Mas capta o momento inteiro, os instantes, tudo. Ela gostaria que ele entendesse isso. Ela o acha tão bonito em tudo... Ela sorri. Ele, embora não saiba o motivo do riso, contagia-se e sorri junto. Ela ama isso nele. Ela ama muitas coisas nele. Só não sabe é dizer. Mas ela sempre pensa: e precisa dizer? O lago é profundo mas não precisa avisar-se... Ele é. Ela é.

A tardinha começa a cair. Ele estende as mãos para ela. Ela adora mãos estendidas... Caminham olhando tudo. Ele quebra o silêncio falando: eu odeio tua economia de palavras. Ela compreende a frase porque, às vezes, ela odeia essa economia também, rss. 

Ele quer respostas que ela não tem para dar. 
Ela ajeita os cabelos, desajeitada, lembra de uma frase da Lispector que ela adora e diz: 
"Água parada é água funda". 
Larga a mão dele e pergunta-lhe se ele a entende. O silêncio agora parte dele. Ela sabe entender o que 'fala' o silêncio. Principalmente quando ele é a resposta a alguma pergunta (maior). 
Ela entende.

A noitinha chega, o lago agora é só estrelas e silêncios.
Só estrelas. Só silêncio.
Ambos sobem em suas bicicletas e seguem.
Caminhos opostos. Cada um uma vida. 
E, no pensamento dela a certeza:
Pergunta sem resposta é um elo muito grande quando há (ou houve?) um sentimento tão bonito assim.

2 comentários:

Mônica. disse...

Acho bonito as palavras do silêncio.
Oh texto bonito! :)

Vanderhugo disse...

Lindo texto.
E lindo título para um blog...

bjs