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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

No outro lado da janela

Eu, nascida e criada em uma cidadezinha linda do interior do Ceará. Um lugar de montanhas verdes, jardins plantados por mim, com direito a vizinhos amigos de infância, quintal com pomar, balanço na árvore, etc e tal, é difícil observar a vida das crianças que vivem abandonadas nas ruas por aqui ó?

Nem adianta mesmo me falar de quem é a responsabilidade, ou que é o merecimento daquele espírito, ou que a culpa é do sistema capitalista neo-liberal-etc-e-tal! Danem-se todas as respostas... Hoje não. Cansada das mesmas respostas. Um dia me canso das perguntas tá? É com pesar que olho para essas pessoas, por tudo aquilo que lhes são negado, roubado. Por todo alimento e atenção que não possuem, principalmente.

Então, olhando um pequenininho na chuva hoje, cabelos caídos na testa (já com marcas de expressão forte), e em suas mãozinhas sujas suas bolinhas de malabarismos azul, amarela e vermelha. Olhando a cena ali, os carros passando apressados em busca de direção, os guarda-chuvas coloridos indo e vindo, a própria chuva que é tão bonita e o menininho ali, molhado, faminto, sem infância, indesejado etc me fez lembrar uma frase do Caio Fernando Abreu que, por um milésimo de segundo me conformou. A frase é a seguinte:

"
Nem você nem eu somos descartáveis.
E amanhã tem sol".

2 comentários:

R.Vinicius disse...

Vi toda a cena que você contou tão bem; o malabarismo, os carros, os guarda-chuvas. Não conhecia a frase do Caio Fernando Abreu, mas gostei muito. Me indica algum livro dele ?

Abraço,

R.Vinicius

R.Vinicius disse...

Obrigado pelas indicações; tenho comigo que vou gostar do mesmo livro que tu. Por causa do titulo que mecheu comigo.

Abraço,

R.Vinicius