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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Sincopada.

Trecho dos Morangos Mofados, do Caio:

Quando resolvi fugir daquelas coisas torpes lá de fora não pensei que fosse tão fácil: na verdade foi tudo muito natural, como se um dia isso tivesse mesmo que acontecer, e exatamente dessa forma. Não precisei fazer esforço algum. Só deitar e esperar. A princípio ainda classificava lembranças e memórias, tinha consciência de um antes, um durante, um depois, de um real e um irreal, um tangível e um intangível, um humano e um divino: separava minha memória e meus conhecimentos em partes cuidadosamente distintas. Depois que ele começou a rondar minha janela, ou antes, não sei, tudo se confundiu num só bloco, e fiquei assim: esta massa compacta toda à superfície de si mesma. Não lembro de ninguém assim tão à flor de si mesmo: raiz, caule, folhas e frutos. Talvez eu esteja sendo gerado, não sei. Sei que falta pouco. Eu queria que não fosse assim, que não tivesse sido assim. Mas não consegui evitar. A semente recusava-se a vir à tona, eu nem sempre tinha tempo ou vontade de regá-la, e não chovia mais – foi isso que aconteceu.
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para quem, de tanto chover, não aconteceu.
abraço apertadão em todos.
aline lima.

Um comentário:

Ana Valeska disse...

aceitar, aceitar, quando inunda ou quando são tempos de estio. tentar equilíbrios. tenho sentido que somos todos equilibristas. ou temos que aprender a ser. na corda bamba. acho que vou ter aulas de circo para aprender as coisas da vida.
Te adoro muito, Aline linda!