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segunda-feira, 7 de julho de 2008

01:25

Cadê o sono?
Aqui venta muito e, para um ser noturno como eu, fica mais bonita a noite.
A cidade se aquieta... As pessoas se recolhem e o silêncio do mundo fica menos tímido.

Hoje conversei com um garotinho que faz malabarismos no sinal. Chama-se Wesley [com w e y, conforme fez questão de soletrar]. Sabe ler e escrever, e me disse com delicada alegria. Em suas mãozinhas já tão gastas, uma sacolinha cheia de comida para os seis irmãos, menores, que esperavam famintos sob alguma árvore ou lage no centro da cidade.

Wesley é educado. Parece seu um bom menino.
Tem um olhar tristonho mas brilhante, assim pro infinito. Me contou que não rouba por querer, rss. Disse-me também que não come nada antes de encontrar, no final da tarde, com seus irmãozinhos e seus pais, que fazem as poucas refeições juntos. Estuda pela manhã e, a tarde vai pro seu trabalho. Gostaria de ter um circo e, com o dinheiro do circo comprar uma casa de dois quartos [um para seus pais e outro para ele e seus irmãos dividirem], fogão e geladeira, televisão e cama com colchões macios. Me disse determinado que conseguirá todos os desejos realizar. E eu lhe disse que é importante acreditar e trabalhar para realizar.

Wesley é o retrato do Brasil.
Antes de ir embora por aí dividi com ele o último chocolate, que tinha na bolsa, com recheio de doce de leite. Educadamente me pediu, por favor, que lhe desse o papel do chocolate, para embalar a metade do bombom e levar pra casa. Me disse que seria a sobremesa. Disse-lhe que metade de um chocolate não daria para nove pessoas, porque é pouco. Ele me disse que não. Pouco é não ter nada, metade de algo já é muito para ele. Estende a mão para me cumprimentar, agradece e dá sinal para o ônibus parar. Sumiu pela cidade, feliz da vida, com o jantar da família em suas mãos.

Wesley tem apenas 11 anos.
E, certamente terá um circo lindo e será um malabarista cheio de talento.
Tomara Deus!!!

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